ARRECADAÇÃO FEDERAL RECORDE EM AGOSTO APÓS SUBIR 8,2%, MAIOR VALOR PARA MES RM 28 ANOS

28 de setembro de 2022

Resultado foi divulgado nesta terça (27) pela Receita Federal. No acumulado dos oito primeiros meses deste ano, arrecadação avançou 10,2% para R$ 1,46 trilhão.

A arrecadação do governo federal com impostos, contribuições e demais receitas atingiu R$ 172,31 bilhões em agosto, informou nesta terça-feira (27) a Secretaria da Receita Federal.

O resultado representa aumento real de 8,2% na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando a arrecadação somou R$ 159,24 bilhões (valor corrigido pela inflação).

Também foi o maior valor já registrado para meses de agosto desde o início da série histórica da Receita Federal, que tem início em 1995. Ou seja, foi o maior valor para esse mês em 28 anos.

Acumulado do ano

No acumulado dos primeiros oito meses deste ano, ainda segundo os dados oficiais, a arrecadação federal somou R$ 1,46 trilhão.

Em valores corrigidos pela inflação, totalizou R$ 1,47 trilhão, o que representa alta real de 10,2% na comparação com o mesmo período do ano passado (R$ 1,34 trilhão).

Do mesmo modo, os números da Receita Federal mostram que essa também foi a maior arrecadação, para o período de janeiro a agosto de um ano, desde o início da série histórica, em 1995.

Fatores

De acordo com o órgão, o desempenho da arrecadação de agosto foi marcado pelo recolhimento atípico de R$ 5 bilhões em Imposto de Renda e CSLL por empresas ligadas ao setor de “commodities” (produtos básicos com cotação internacional, como petróleo, minério e alimentos).

Assim, com os preços desses produtos em alta, por conta da inflação, há um recolhimento maior de tributos.

No acumulado do ano, esse “recolhimento atípico” apontado pela Receita Federal atingiu a marca dos R$ 35 bilhões. Analistas já apontaram o efeito da inflação sobre a arrecadação neste ano.

Em contrapartida, o governo lembrou que foram reduzidos tributos sobre combustíveis e sobre produtos industriais neste ano. Posteriormente, em agosto, o corte de impostos sobre combustíveis gerou uma perda de R$ 3,75 bilhões, e a redução do IPI de outros R$ 1,9 bilhão.

No acumulado dos oito primeiros meses deste ano, entretanto, a perda de receita dos cortes de tributos sobre combustíveis e produtos industriais somou R$ 20,450 bilhões — não compensando, dessa forma, o aumento da arrecadação decorrente da alta da inflação.

Questionado se a queda esperada por analistas nos preços dos produtos básicos (“commodities”) em 2023 não pode afetar negativamente a arrecadação, o Chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, afirmou que ainda não é possível saber.

“O cenário externo aponta para economistas que estão elevando os juros e com inflação e isso pode sinalizar com um período de recessão [na economia mundial] em um futuro próximo. O quanto irá afetar as ‘commodities’, ainda não é sabido. Tem um condão recessivo, mas não se sabe o quanto isso irá afetar nossas ‘commodities’ minerais e agrícolas”, declarou.

Do mesmo modo, a Receita Federal observou que o aumento dos juros básicos da economia nos últimos meses, atingindo 13,75% ao ano, maior patamar em seis anos, também impulsionou a arrecadação. Segundo o órgão, aumentou o recolhimento de IR sobre rendimentos de capital.

A elevação da massa salarial foi outro fator que contribuiu positivamente para a alta da arrecadação, pois também foi registrado incremento nas receitas previdenciárias.

Superávit em 2022

A boa arrecadação do governo ajuda as contas públicas. Neste ano, a meta fiscal definida pelo governo para este ano é de déficit de até R$ 170,5 bilhões.

Entretanto, o Ministério da Economia estimou neste mês que as contas do governo registrarão um superávit primário de R$ 13,5 bilhões em 2022.

O saldo primário indica que o governo deve gastar menos do que a arrecadação do ano, sem contar as despesas com a dívida pública.

Se confirmado, será interrompida uma trajetória de oito anos com as contas no vermelho.

No ano passado, o governo registrou um déficit fiscal de R$ 35,073 bilhões, segundo números da Secretaria do Tesouro Nacional. Quando corrigido pela inflação, o rombo somou R$ 37,9 bilhões.

Apesar do resultado positivo estimado para este ano, economistas avaliam que essa melhora é pontual, pois as contas voltarão ao vermelho em 2023.

Por fim, segundo a proposta de orçamento do ano que vem, enviada no fim de agosto ao Congresso Nacional, a estimativa para o ano que vem é de um rombo de R$ 65,9 bilhões.

Fonte: Agência Brasil

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