O ESG TEM A VER COM FILANTROPIA ESTRATÉGICA

4 de julho de 2022

O ESG avalia riscos e oportunidades de investimentos que tragam retorno financeiro a quem os faz. E a filantropia, desvinculada da necessidade de retorno financeiro, investe em projetos que beneficiam as pessoas e/ou o meio ambiente, o que, no fim das contas, é quase tudo o que importa para diminuir os riscos e aumentar as oportunidades das atividades econômicas. Sem falar que a filantropia também mexe em ponteiros diretamente relacionados aos aspectos ESG das corporações, como a reputação.

Feito o preâmbulo, vamos ao tema da coluna. O Idis (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social) publicou o relatório “Perspectivas para a Filantropia no Brasil — 2022”, com oito tendências desta atividade para este ano, que começou outro dia e amanhã mesmo já chegou no Carnaval.

Em resumo,  a filantropia tende a ser cada vez mais estratégica, direcionada a terceiroscolaborativa, centrada em grandes causas, com foco em soluções nas comunidades e mais engajamento das empresas e dos jovens .

Uma das tendências trata do impasse entre o investimento de longo prazo e as emergências. A filantropia tende a ser cada vez mais estratégica, buscando soluções definitivas para problemas sistêmicos que atravancam o desenvolvimento de muita gente. Porém eis que a todo momento aparecem situações emergenciais que demandam ações imediatas para que várias pessoas possam continuar vivendo.

O exemplo mais notório, claro, é a pandemia. E agora, em curso, temos o caso de Petrópolis e seus mais de 200 habitantes que lá sucumbiram soterrados ou afogados.

Em 2020, devido à crise sanitária e econômica, a assistência social pulou de oitavo para terceiro lugar entre as áreas que mais receberam doações, segundo a pesquisa BISC 2020 (Benchmark do Investimento Social Corporativo). E o investimento explodiu. Foram R$ 5,3 bilhões ao todo, com Itaú (R$ 1,8 bi) e Vale (R$ 1,1 bi) à frente.

Com o arrefecimento da crise sanitária, o montante diminuiu em 2021 para R$ 4,2 bilhões. Contudo, 60% das empresas doadoras pretendem manter ou aumentar o total de investimento social em 2022 e 2023.

Outra tendência diz respeito ao destino do dinheiro, mais precisamente se ele vai para iniciativas próprias, geridas pelo doador, ou para organizações da sociedade civil dedicadas a solucionar problemas complexos. Historicamente a alocação no primeiro grupo chegava a ser mais que o dobro do aporte em iniciativas de terceiros. A distância ficou bem menor em 2018 e, em 2020, o cenário se inverteu.

O foco em grandes causas, como equidade racial, combate às mudanças climáticas e acesso à tecnologia e conectividade, só tende a crescer entre os filantropos.

E uma tendência muito bacana de se ver é o engajamento dos jovens na filantropia. Fato é que, afirma o relatório do Idis, essa juventude não esperará ter patrimônio ou receber uma herança para se jogar na filantropia. E mais: 45% dos jovens com idade entre 18 e 29 anos consideram as ONGs muito responsáveis pela solução dos problemas sociais e ambientais do país. Na população em geral, esse percentual cai para 34%.

A melhor forma de investir demandará cada vez mais uma visão estratégica. Diz o relatório: “As sociedades se tornaram mais complexas, assim como seus problemas. E o desafio enfrentado pelos filantropos, que querem gerar o maior impacto possível com suas doações, cresceu consideravelmente”.

É isso. Nossos problemas são intrincados.  As soluções só virão por meio de atuações colaborativas e muitas parcerias. E precisam envolver todo mundo: governos, empresas, ONGs e a sociedade em geral. E, obviamente, dinheiro.

Fonte: Agência Brasil

Inscreva-se em nosso  blog  e receba matérias como essa diretamente em seu e-mail. Acompanhe nossas redes sociais:

Por Grace Almeida 18 de agosto de 2026
Locação de Imóveis por Entidades Imunes
Por Grace Almeida 13 de agosto de 2026
Edital SME São Paulo 2026 seleciona OSCs para atuar em escolas municipais, com parcerias de até R$ 34,4 milhões e duração de cinco anos.
Por Grace Almeida 12 de agosto de 2026
Muita gente está ouvindo falar no “imposto dos super-ricos” e pensando: “Isso não é para mim.”
Por Grace Almeida 24 de julho de 2026
A morte do pequeno Abdoulaye, de apenas 1 ano, em uma creche de São Paulo, provocou comoção em todo o país e reacendeu um debate que ultrapassa as circunstâncias específicas do caso.
Por Grace Almeida 20 de julho de 2026
A Instrução Normativa RFB nº 2.335/2026, publicada em 15 de julho de 2026, trouxe duas mudanças importantes para as entidades sem fins lucrativos.
Por Grace Almeida 7 de julho de 2026
Se liga nessas oportunidades, uma delas pode ser para a sua osc!
Por Grace Almeida 9 de junho de 2026
Qualquer entidade sem fins lucrativos Qualquer entidade sem fins lucrativos tem direito à isenção de IRPJ e CSLL independentemente de sua qualificação.
Por Grace Almeida 4 de maio de 2026
Decisão sobre plataformas digitais e imunidade de livros, jornais e periódicos
Por Grace Almeida 28 de abril de 2026
O documento cria o Cadastro Municipal de Organizações de Assistência Social (CADSMADS), que passa a ser requisito essencial para participação em parcerias com o poder público. A norma define critérios técnicos, administrativos e legais para o reconhecimento do mérito social, que atesta a regularidade, capacidade operacional e impacto das organizações. Também regulamenta os processos de inscrição, renovação, suspensão e cancelamento do cadastro, além de padronizar a análise por meio de visitas técnicas, relatórios e pareceres especializados. Outro ponto central é a exigência de transparência, gratuidade dos serviços e alinhamento com as diretrizes do SUAS, garantindo que as organizações atuem de forma inclusiva e voltada à população em situação de vulnerabilidade. A portaria ainda reforça o uso de sistemas digitais (SEI e SISORG) para gestão e acompanhamento das entidades. Em síntese, a medida moderniza e torna mais rigoroso o controle, a qualificação e o monitoramento das organizações da sociedade civil que atuam na assistência social no município. Acesse a portaria completa acessando abaixo: Por Grace Almeida Bispo
Cadeira vazia em sala minimalista com frase sobre invisibilidade de diretores de OSC
Por Grace Almeida 14 de abril de 2026
Diretores de OSC precisam se posicionar no digital. Entenda como a visibilidade impacta a captação de recursos e o crescimento da sua organização